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Qual a importância da lubrificação para a vida útil dos equipamentos?

Este artigo foi desenvolvido por João Paulo Albuquerque

Qual a importância da lubrificação para a vida útil dos equipamentos?

Antes de mais nada vamos entender qual a definição e objetivo da lubrificação. A lubrificação é uma técnica que consiste em introduzir uma substância apropriada entre superfícies sólidas que estejam em contato e que executem movimentos relativos. Normalmente são utilizados
óleos ou graxas, que impede o atrito entre as superfícies em questão.

Com essas condições, os pontos de contato entre as superfícies sólidas são transformados em atrito fluido, ou seja, o atrito passa a ser entre uma parte sólida com um fluido, fazendo assim com que o desgaste entre as partes seja reduzido significativamente.

Mas os lubrificantes não têm só esta função, pelo contrário, existem várias funções que podemos citar para eles, como:
● Esfriar as partes mecânicas;
● Realizar preservação contra oxidação;
● Realizar vedação entre as folgas das partes móveis;
● Permitir um movimento livre;
● Eliminar ruídos;
● Evitar o acúmulo de depósitos;
● Amortecer impactos;
● Prolongar a vida útil dos equipamentos.

Para que haja formação da película lubrificante, é necessário que o fluído apresente adesividade, para aderir às superfícies e ser arrastado por elas durante o movimento e coesividade para que não haja rompimento da película. A propriedade que reúne a adesividade e a coesividade de um fluido é denominada oleosidade.

Os lubrificantes podem ser gasosos como o ar; líquidos como os óleos em geral; semissólidos como as graxas e sólidos como a grafita, o talco e a mica, por exemplo. Porém, os lubrificantes mais utilizados no cotidiano são os líquidos e os semissólidos.

Qual a importância da lubrificação para a vida útil dos equipamentos?

Quanto à origem, os óleos podem ser classificados como:
● Óleos minerais – São substâncias obtidas a partir do petróleo e, de acordo com sua estrutura molecular, são classificadas em óleos parafínicos ou óleos naftênicos;
● Óleos vegetais – São extraídos de sementes: soja, girassol, milho, algodão, arroz, mamona, oiticica, babaçu;
● Óleos animais – São extraídos de animais como a baleia, o cachalote, o bacalhau, a capivara;
● Óleos sintéticos – São produzidos em indústrias químicas que utilizam substâncias orgânicas e inorgânicas para fabricá-los. Estas substâncias podem ser silicones, ésteres, resinas, glicerinas etc.

Qual a importância da lubrificação para a vida útil dos equipamentos?

Os óleos lubrificantes, antes de serem colocados à venda pelo fabricante, são submetidos a ensaios físicos padronizados que, além de controlarem a qualidade do produto, servem como parâmetros para os usuários. Segue tabela com os principais ensaios padronizados:

Qual a importância da lubrificação para a vida útil dos equipamentos?
Qual a importância da lubrificação para a vida útil dos equipamentos?

Não podemos deixar de falar sobre os aditivos, que são compostos químicos que melhoram ou atribuem propriedades aos óleos básicos que serão usados na fabricação de lubrificantes e graxas. Vamos citar as principais classes de aditivos:

● Anticorrosivos: Protegem as superfícies metálicas lubrificadas do ataque químico pela água
ou outros contaminantes.

● Antidesgaste: Estes aditivos formam um filme protetor nas superfícies metálicas, evitando o rompimento da película lubrificante, quando o óleo é submetido a cargas elevadas. A formação deste filme ocorre a temperaturas pontuais de até 300°C.
● Antiespumantes: Têm a propriedade de fazer com que esta espuma formada na circulação normal do óleo se desfaça o mais rápido possível.
● Antioxidantes: Têm a propriedade de aumentar a resistência à oxidação do óleo. Retardam a reação com o oxigênio presente no ar, evitando a formação de ácidos e borras e, consequentemente, prolongando a vida útil do óleo. Evitando a oxidação, minimizam o aumento da viscosidade e o espessamento do óleo.
● Detergentes: Têm a propriedade de manter limpas as partes do motor. Também têm basicidade para neutralizar os ácidos formados durante a combustão.
● Dispersantes: Têm a propriedade de impedir a formação de depósitos de produtos de combustão (fuligem) e oxidação (borra) nas superfícies metálicas de um motor, mantendo estes produtos indesejáveis em suspensão de modo que sejam facilmente retidos nos filtros ou removidos
quando da troca do óleo.
● Extrema Pressão: Estes aditivos reagem com o metal das superfícies sob pressão superficial muito elevada, formando um composto químico que reduz o atrito entre as peças. Minimizam o contato direto entre as partes, evitando o rompimento da película lubrificante, quando o óleo é
submetido a cargas elevadas. Esta reação se dá a temperaturas pontuais elevadas (cerca de 500°C).
Estes aditivos são comumente utilizados em lubrificantes de engrenagens automotivas e industriais e também em graxas.
● Melhoradores do Índice de Viscosidade: Têm a função de reduzir a tendência de os óleos lubrificantes variarem a sua viscosidade com a variação da temperatura.
● Rebaixadores do Ponto de Fluidez: Melhoram a fluidez dos óleos quando submetidos a baixas temperaturas, evitando a formação de cristais que restringem o fluxo deles.
● Modificadores de Atrito: Os aditivos modificadores de atrito reduzem a energia necessária para deslizar partes móveis entre si, formando uma película que se rompe com o movimento, mas que se recompõe automaticamente. São empregados em óleos de motores (para aumento de
eficiência), em sistemas de freio úmido, direções hidráulicas e diferenciais autoblocantes (para diminuição de ruídos), em transmissões automáticas (para melhorar o acionamento das embreagens e engrenagens) e em graxas para Juntas Homocinéticas (para o aumento de eficiência). Podem ser substâncias orgânicas (teflon), inorgânicas (grafite, bissulfeto de olibdênio) ou organometálicas (a base de molibdênio ou boro).

Qual a importância da lubrificação para a vida útil dos equipamentos?

Sabendo desses pontos, podemos afirmar que qualquer falha de lubrificação provoca, na maioria das vezes, desgastes com consequências de médio a longo prazo, afetando a vida útil dos elementos lubrificados e em alguns pouquíssimos casos, a curto prazo. Estudos comprovam que a deficiência na lubrificação gera um aumento considerável no desgaste das partes móveis podendo chegar ao ponto de falhas catastróficas. Por exemplo, um equipamento que deveria ter uma vida útil de 20 anos, pode se degradar em apenas 5.

Agora se levarmos em conta essa informação e atribuirmos aos vários pontos de lubrificação que existem em uma empresa, podemos ter a noção do número de paradas corretivas serão registradas pela má execução da lubrificação ou a ausência dela. Somente a prática da lubrificação correta,
efetuada de forma contínua e permanente, garante uma vida útil plena para os componentes de máquinas. Podemos concluir que o hábito de manter uma lubrificação eficiente pode resultar em:
● Aumento da vida útil dos equipamentos;
● Redução do consumo de energia;
● Redução nos custos de manutenção em até 35%;
● Redução de até 50% no consumo de lubrificantes.

Com isso podemos falar da importância de um plano de lubrificação. Toda e qualquer empresa que possua equipamentos, necessita de um plano bem estruturado de lubrificação para se obter uma melhor eficiência operacional de seus equipamentos. A existência de um programa racional de lubrificação e sua implementação influem de maneira direta nos custos industriais pela redução do número de paradas para manutenção, diminuição das despesas com peças de reposição e com lubrificantes e pelo aumento da produção, além de melhorar as condições de segurança do próprio serviço de lubrificação.

Para criar um plano de lubrificação do zero, de início devemos ter a relação de todos os equipamentos que possuímos na planta, verificar a disponibilidade dos manuais técnicos para consultar as recomendações dos fabricantes quanto ao tipo de lubrificante, quantidade e frequência de lubrificação deve ser adotada. Outra boa prática que pode ser adotada após o levantamento de todas as recomendações, é pesquisar lubrificantes que atendam as necessidades de seus equipamentos a fim de reduzir custo com a compra de vários tipos de lubrificantes diferentes, lembrando de não mudar as características necessárias para garantir o perfeito funcionamento do seu equipamento.

Treinamento de todos os funcionários que iram realizar as lubrificações para evitar que aconteça uma lubrificação com produtos diferentes e conscientizá-los da importância de se manter a prática de obedecer aos prazos determinados.

Outro ponto muito importante é o armazenamento e manuseio do lubrificante. Segundo norma do INMETRO, usualmente óleos lubrificantes são comercializados em tambores de 200 litros e as graxas por unidades de quilograma. Em relação ao manuseio e armazenagem de lubrificantes, deve-se evitar a presença de água. Os óleos contaminam-se facilmente com água. A água pode ser proveniente de chuvas ou da umidade do ar. Areia, poeira e outras partículas estranhas também são fatores de contaminação. Temperaturas muito elevadas podem decompor as graxas.

Qual a importância da lubrificação para a vida útil dos equipamentos?

Com isso podemos perceber a grande importância que a lubrificação tem em todo o processo de manutenibilidade dos equipamentos e processos industriais. Que a escolha do lubrificante ideal não tão fácil assim, os fabricantes têm de fazer muitos testes e acompanhamentos antes de liberarem seus produtos para o mercado, pois uma recomendação errada de um lubrificantes ou até mesmo a instalação de um pondo de lubrificação em pontos errados, pode botar o equipamento a perder.

Devemos ficar atentos ao armazenamento, manuseio, capacitação adequada de profissionais, períodos, quantidade e no tipo de produto que será utilizado.

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