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Incêndio em Correia Transportadora: Saiba as Principais Causas e como Evitar

incêndios correias transportadoras

Esse artigo tem a colaboração de Willian de Castro e Luis Morgado.

Incêndio em correia transportadora oferece diversos perigos, especialmente por sua capacidade de espalhar fogo por longas distâncias devido ao movimento das próprias correias que pode transportar os focos de incêndio de um ponto a outro.

Dessa forma, além de oferecer sérios riscos à segurança e a vida dos trabalhadores, acidentes com chamas podem gerar diversos prejuízos, elevar gastos e demandar muito tempo para que a operação seja reestabelecida, e muitas vezes os danos causados podem ser irreparáveis, como o exemplo da Figura 1, abaixo:

Figura 1 – Imagens de incêndios em correias transportadoras com consequências irreparáveis

Incêndios em correias transportadoras
Incêndios em correias transportadoras

Processo de geração do fogo em Incêndios em Correias Transportadoras

O processo de geração do fogo pode ser entendido como uma reação química de combustão provocada por três elementos distintos que juntos também são chamados de “Triângulo do Fogo”, que é composto por (1) calor, (2) oxigênio e (3) combustível, conforme figura 2.

Trazendo estes elementos para a operação com correia transportadora, podemos dizer que o elastômero (presente nas coberturas das correias – figura 3) faz o papel de combustível. Já oxigênio (responsável por alimentar o fogo) está presente com abundância no ar atmosférico, estando ele, consequentemente, também incluso nos locais onde estão as correias. E por último, o elemento calor, responsável por ser a “fagulha” que dá início as chamas, é consequência do atrito de algum componente do transportador (na maioria dos casos rolos e tambores) com a correia transportadora.

Triângulo do fogo
Figura 2 – Triângulo do fogo
elastômero
Figura 3 – Elastômero

                           

Relato prático de incêndio em correia transportadora: pelo Engenheiro Luis Morgado

O engenheiro e consultor, Luis Morgado, é um profissional que atua diretamente na área com recuperação e reparo de correias transportadoras. Ele é autor de um artigo/relato contando o caso de um incêndio que ocorreu em dois transportadores de correia, em setembro de 2020.

Luis descreve que ao chegar no local onde houve o processo de incêndio percebeu que “o primeiro transportador estava posicionado próximo ao solo, sofrendo leves danos estruturais, mas em compensação o incêndio no segundo transportador foi extremamente danoso à estrutura”, danificando segundo ele, cerca de 70% do transportador, como mostra a Foto 1 (abaixo):

Foto 1- Mostra a proporção do incêndio (Fonte: Eng. Luis Morgado)

Incêndio em Correia Transportadora

Na sequência, Morgado detalha as consequências que o incêndio causou, apontando que “foi realizada a avaliação do transportador no local do incêndio” e que “a situação apresentou verdadeiro caos estrutural, com os perfis retorcidos (módulos 4 e 7, sendo cada módulo de 9 metros), e banzos superiores com forte flambagem, ultrapassando os nós da treliça, provocando com isso, deformações plásticas nas diagonais laterais da estrutura e colapso dos contraventamentos superiores”.

“Dessa forma, tínhamos um grande desafio pela frente”, revela o engenheiro.

A Foto 2 (abaixo) ilustra a situação:

Foto 2 – Mostra as consequências do incêndio (Foto: Eng. Luis Morgado)

Por último, o consultor explica os procedimentos realizados para recuperação do transportador, sendo que haviam duas diferentes opções. Uma delas com prazo maior (cerca de 30 dias) e o outro método revolucionário (inédito) o qual foi escolhido pelo cliente, realizado em 10 dias. Procedimento benéfico e eficaz, uma vez que o custo desse transportador parado era de 200 mil reais/dia. E assim, conforme o engenheiro, foi possível ganhar 20 dias de operação (caindo de 30 para 10 dias), e a empresa deixou de perder 4 milhões de reais por meio dessa solução inovadora.

Procedimentos realizados – reparo excepcional feito pelo consultor técnico e a equipe de manutenção do cliente:

• Reparo dos módulos 4 e 7 dentro de procedimentos de segurança, de modo a não colocar em risco os profissionais que realizaram os reparos, bem como também a própria estrutura;
• Montagem de todos os componentes mecânicos e elétricos;
• Montagem da correia transportadora;
• Realização de comissionamento, teste sem carga e com carga;
• Liberação para a Produção.
Prazo inicialmente previsto: 15 dias: Prazo efetivamente realizado: 10 dias.

Figura 4 – Transportador recuperado (Fonte: Eng. Luis Morgado)

11 possíveis causas de incêndio em correia transportadora

1 – Gatilho/combustível para incêndio: Um gatilho/combustível que contribui para o início de incêndios em correias transportadoras são os elastômeros (borracha presente nas coberturas da correia transportadora), que geram calor a partir do contato/atrito direto com outras partes do transportador.

Existem possíveis soluções para esse problema, sendo um deles por meio de aditivos químicos: para retardar ou auto extinguir as chamas, porém estes aditivos não tornam o material incombustível.

Outra opção para buscar solucionar o problema é utilizar elastômeros com resistência a altas temperaturas, porém ressaltamos que essa opção não elimina as chances de ocorrer incêndio, mas reduzem a probabilidade de ocorrência e minimiza os danos.

2 – Calor gerado por meio de atrito: De acordo com levantamentos feitos pela Zurich (2012), as principais causas de incêndio não estão ligadas ao material que é transportado pelas correias transportadoras, como muitas pessoas tendem a imaginar. Mas segundo a empresa, a maior incidência de acidentes acontece a partir do calor gerado por fricção (atrito) principalmente entre rolos e tambores, que transferem este calor para a correia.

3 – Bloqueio da correia transportadora: Quando a correia transportadora tem o movimento interrompido e o tambor continua girando, o calor gerado pelo atrito pode incendiar a correia.

4 – Bloqueio de tambores: Similar ao bloqueio da correia transportadora (com exceção de que o tambor permanece estacionário, enquanto a correia continua a se mover), na área operacional este evento é conhecido como “patinar”. E assim, o calor gerado pelo atrito no processo superaquece o elastômero, podendo em consequência, dar início a um incêndio.

5 – Rolos travados: O calor gerado pelo atrito de rolos travados também pode dar início a incêndios em correias transportadoras. Rolos revestidos de borracha, presentes nas regiões de carregamento, são mais propícios para gerar combustão.

Nesses casos, geralmente, os rolos ficam travados (em função da vida útil dos seus rolamentos que já estão no final ou por contaminação de agentes externos “sujeira” que prejudicam a lubrificação e provocam o travamento).

6 – Desalinhamento de correia transportadora: Quando a correia transportadora opera desalinhada (o que pode ser resolvido com um alinhador de correia transportadora), o atrito com a estrutura do transportador pode gerar superaquecimento, que pode chegar à elevadas temperaturas. 

7 – Material manuseado: Caso esse que acontece quando a alimentação da correia transportadora é feita com material em ignição (ou material com características de combustão espontânea), como pode ser visto na figura 5, abaixo:

 Figura 5 – Correia transportando material em ignição

8 – Eletricidade Estática: Cargas estáticas são geradas durante a movimentação da correia transportadora. Se os componentes com os quais a correia tem contato não possuírem características anti-estáticas, existe a possibilidade de haver geração de uma carga estática com força suficiente para se transformar em centelhas.

Atualmente, a maioria das correias de elastômero (borracha) apresenta compostos químicos que não permitem um acúmulo de cargas estáticas. Entretanto, outros componentes não metálicos podem ser fontes geradoras de centelhas. A produção de centelhas por cargas estáticas normalmente não é um problema, a menos que o ambiente em que a correia opera (ou a carga transportada) sejam passíveis de ignição.

9 – Trabalhos a quente: Serviços de manutenção que requerem uso de fogo através de solda, corte, esmerilhamento e etc, tais como corte de chapas de revestimento e parafusos em chutes de alimentação (visto na figura 6), podem servir como gatilhos de incêndio.

Figura 6 – Exemplo de esmerilhamento, operação que gera sentelhas

10 – Vegetação próxima à correia transportadora: Vegetação junto ao trajeto das correias transportadoras, principalmente durante os períodos de seca, representa exposição desnecessária; tendo em vista que o risco de incêndio iniciado na vegetação pode ser facilmente propagado para as correias transportadoras, exemplo visto na figura 7:

Figura 7 – Exemplo de vegetação junto à correia transportadora

11 – Vandalismo: Incêndios criminosos provocados por seres humanos em meio a natureza (ou mesmo no ambiente de indústria), como um cigarro aceso e descartado em local inadequado, podem ganhar grandes proporções, atingindo o equipamento.

Dicas de prevenção contra incêndios em correias transportadoras

Operação com correia transportadora requer constantes monitoramento e manutenção, sendo 11 principais:

  • Sempre realize inspeções periódicas e detalhadas nas correias transportadoras.
  • Dimensione corretamente o composto de borracha das coberturas da correia transportadora para o material a ser manuseado.
  • Substitua, o mais rápido possível, os rolos desgastados ou danificados / travados.
  • Sempre investigue o odor de borracha queimada proveniente das correias transportadoras, para se antecipar a possíveis incêndios.
  • Elimine fontes potenciais de incêndio tais como rolamentos superaquecidos e desalinhamento das correias transportadoras com contato com a estrutura do transportador.
  • Remova corpos estranhos como pó e outros materiais acumulados nos componentes das correias transportadoras.
  • Instale sistema de detecção de incêndio através de fumaça/calor e faça os intertravamentos entre o sistema de acionamento dos motores da correia transportadora com os sistemas de detecção e proteção.
  • Sinalize (de forma clara) os locais da rede de hidrantes ao longo das correias transportadoras. Certifique que os equipamentos para combate a incêndio estejam funcionando e que as mangueiras de incêndio estejam adequadamente enroladas.
  • Antes de autorizar a execução dos trabalhos a quente, o responsável pela atividade deve certificar-se que as medidas preventivas necessárias foram aplicadas e que todas as proteções contra incêndio estão operacionais. Recomenda-se também proteger a correia contra fagulhas e borras incandescentes. 
  • Faça a poda ou desmatamento da vegetação vizinha às correias transportadoras em intervalos regulares.
  • Para evitar vandalismo, é necessário supervisionar toda a extensão da correia transportadora. Além das operações de ronda, também recomenda-se a instalação de câmeras de vídeo para monitoramento. 

Importante: Em caso real de incêndio, nunca interrompa o movimento da correia, o combate ao fogo deve ser realizado com a correia em movimento.

Uso de tecnologias no combate de incêndios em correias transportadoras

As tecnologias também podem ajudar a monitorar e prevenir acidentes com incêndios em correia transportadora. Podemos destacar algumas disponíveis no mercado:

Uso de cabos detectores lineares de calor por fibra optica: que podem ser instalados nas proximidades de roletes e tambores. Esses cabos são interligados a um painel de controle que dispara um alarme e aciona os sistemas de extinção automática, eles também interrompem a movimentação da correia transportadora. Um exemplo de cabo é visto na figura 8:

Figura 8 – Exemplo de cabo detector  linear de calor por fibra optica

Para proteção contra o “patinamento” (deslizamento da correia transportadora nos tambores), pode ser feito o uso de sensores de detecção de velocidade baixa no tambor motriz para fazer a interrupção automática do movimento da correia transportadora, conforme figura 9:

Figura 9 – sensor de detecção de velocidade em correia transportadora

Outra alternativa tecnológica para prevenção à incêndios é o uso de sensores em rolos para detectar vibrações, alta temperatura e vida útil dos acessórios, de modo a fazer um monitoramento eficiente para evitar travamento deste componente. Exemplo que pode ser visto na figura 10:

Figura 10 – Sensores em rolo de correia transportadora

Mais uma opção tecnológica para combate à chamas em correia transportadora é o uso de pulverizadores de água para extinção de incêndios (conforme norma NFPA 15), que consiste na descarga de água pulverizada, fazendo o arrefecimento e reduzindo o teor de oxigênio presente no incêndio, conforme figura 11:

Figura 11 – pulverizadores de água para correia transportadora

Um estudo realizado pelo Dr. Rickard Hansen, da Universidade de Queensland, em 2018, mostrou as causas mais comuns de incêndio em sistemas de transportadores de correia em uma mineradora de carvão na Austrália. São eles:

  • Falha em rolamentos, devido a ineficiência de lubrificação com excesso de graxa. O que acontece porque a graxa em excesso pode provocar perda de resistência e desencadear superaquecimento – 22 casos.
  • Travamento de rolos e tambores – 21 casos.
  • Deslizamento da correia transportadora em rolos e tambores – 5 casos.
  • Metal superaquecido em contato com a correia transportadora – 04 casos;
  • Atrito da correia transportadora com material fugitivo (rochas) – 3 casos.
  • Transporte de carvão em ignição – 2 casos.

A importância de Equipes de Emergência e a Brigada de Incêndio

Além de cuidados e a devida atenção com possíveis causas de incêndio em correia transportadora (para a prevenção de eventuais acidentes), também é preciso criar estratégias de combate a situações que possam evoluir para fogo.

Um caso recente aconteceu durante a noite de domingo (03/10/21), na Mina de Salobo (Vale), localizada no município de Marabá – PA, com um incêndio que atingiu parcialmente a correia transportadora da mina, como informa nota divulgada pela assessoria de imprensa da empresa.

mina-do-salobo-vale

A nota esclarece que a situação foi controlada pelas equipes de emergência ainda na mesma noite, não havendo dessa forma; “feridos ou vítimas, apenas danos materiais”. Por fim, a nota acrescenta que “as causas do incêndio estão sendo apuradas”.

Veja a nota na integra:

Na noite do domingo, 3/10, um incêndio atingiu parcialmente a correia transportadora na mina do Salobo, no município de Marabá (PA), sendo debelado pelas equipes de emergência ainda durante àquela noite. Não houve feridos ou vítimas, apenas danos materiais. As causas do incêndio estão sendo apuradas”

Percebemos então, a partir deste caso, a importância para uma empresa em ter também, além de medidas preventivas, uma equipe treinada e preparada para situações de emergência com fogo, garantindo desse modo, que incidentes com incêndio sejam controlados da forma mais segura, rápida e responsável possível.

Como é formada uma brigada de incêndio?

Cada estado é regido por uma legislação específica para brigada de incêndio, apesar de o estabelecimento do grupo ser regulamentado a nível nacional.

Toda via, em geral, o grupo da brigada de incêndio deve ser formado por colaboradores fixos da empresa que se voluntariam ao mandato de brigadista. E assim, o funcionário precisa ter o maior tempo de sua rotina de trabalho realizado dentro das instalações da empresa, de modo que possa ser acionado em caso de acidente.

Já o número de brigadistas é definido por legislação específica de cada estado, portanto cabe a empresa verificar junto as autoridades a quantidade e designação dos componentes.

Também existe uma hierarquia para os integrantes da brigada de incêndio, que é composta por:

 – Brigadistas (membros capacitados para a prevenção e combate a incêndios, bem como para a prestação de primeiros socorros),

 – Líder (responsável pela coordenação dos brigadistas de um determinado setor),

  – Chefe (coordenador dos brigadistas de uma determinada edificação),

  – Coordenador geral (responsável pela coordenação do trabalho de todos os brigadistas em uma planta complexa com vários edifícios).

Os brigadistas devem receber um treinamento de no mínimo 12 horas, sendo que ao menos quatro dessas horas precisam ser utilizadas para atividades práticas

De acordo com a Norma Regulamentadora NR-23, de proteção e combate a incêndios, as empresas que estão obrigadas a ter brigada de incêndio são aquelas que possuem mais de 20 colaboradores. Contudo, a NR-23 não determina quantas pessoas precisam ser empregadas em cada tipo de empresa, sendo assim, o cálculo fica a critério da legislação estadual.

É importante destacar que, diferentemente dos funcionários que integram a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), os membros da brigada de incêndio não possuem estabilidade no emprego em função do cago de brigadista.

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